Investimento de mil milhões de euros vai produzir hidrogénio e amónia verdes em Portugal

«Os gases continuarão a ser uma componente essencial para muitas atividades industriais e hoje podemos falar em gases verdes, como o hidrogénio, o metanol e outros» e «podemos produzir estes gases nos locais onde a água é acessível e onde o custo da energia é mais baixo», disse o Primeiro-Ministro António Costa na apresentação do projeto industrial de produção de hidrogénio verde MadoquaPower2X, em Sines, 
Estas são «as razões pelas quais faz sentido ser em Portugal e, em particular, em Sines, que se localize esta empresa que produz hidrogénio a partir das energias solar e eólica», disse, acrescentando que «o hidrogénio pode ser substituto do gás natural e, no caso concreto, tem o objetivo de produção de amónia verde, que é uma componente de vários produtos, designadamente de fertilizantes».

O projeto MadoquaPower2X representa cerca de mil milhões de euros para instalar 500 MegaWatts de capacidade de produção de hidrogénio verde e 500 mil toneladas de amónia verde por ano, que será exportada pelo porto de Sines, evitando a emissão de mais de 600 mil toneladas de dióxido de carbono e criando mais de 200 empregos. A eletricidade será obtida sobretudo a partir de comunidades de energia renovável com parques eólicos e solares que serão desenvolvidas em paralelo.

Geografia mudou
Na cerimónia, que contou também com uma intervenção do Ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, e a presença do Secretário de Estado do Ambiente e da Energia, João Galamba, o Primeiro-Ministro afirmou que «os grandes desafios estratégicos que a Europa assumiu para esta década mudaram profundamente a geografia», acrescentando que «realizar simultaneamente as transições digital e energética mudou a forma como cada país se posiciona no espaço global». 
Por isto, «Portugal, e Sines, ganhou uma nova centralidade na transição digital, porque é um ponto natural de conetividade com o mundo, através dos cabos de ligação intercontinental», disse, referindo a amarração dos cabos que ligam Europa e América do Sul e Europa e África.
António Costa afirmou que «a transição energética implica que estejamos menos dependentes dos recursos naturais que produziam energia», e que «a nova economia é uma economia em que Portugal é fértil nos recursos naturais necessários». 
«As energias renováveis, quaisquer que sejam, têm boas condições para desenvolvimento em Portugal», disse, acrescentando que Portugal tem «uma grande tradição na energia hidráulica», «excelentes condições para produzir energia solar» e capacidade para produzir energia eólica.

Autonomia energética
O Primeiro-Ministro afirmou que «a invasão da Ucrânia pela Rússia provou a todos o que dizemos há muito tempo: não há autonomia estratégica da Europa se não houver segurança energética da Europa, e para haver esta segurança é fundamental que a Europa aposte na energia que pode produzir e pode produzir muita da energia de que depende».
Portugal «já utiliza 60% de energias renováveis na eletricidade que consome, e daqui a quatro anos utilizará 80%. Isto é muito importante do ponto de vista ambiental, mas é decisivo do ponto de vista económico porque significa que vamos importar muito menos da energia que consumimos», «o que é decisivo para equilibrar a nossa balança externa».
António Costa sublinhou que «este esforço de Portugal, todos temos de o fazer à escala europeia. Se o tivéssemos feito, hoje estaríamos muito menos dependentes de fornecedores externos à União Europeia».

Diversificar dependência
«Infelizmente não conseguiremos produzir toda a energia de que necessitamos, pelo que continuaremos a importar energia e, para isso, temos de assegurar que, para além de diversificar as origens temos de diversificar os tipos de energia. Não podemos depender em 40% de um só fornecedor, não podemos depender exclusivamente de fornecedores de um ou dois continentes. Temos de ter acesso a gás natural, por exemplo, das mais diversas proveniências para que em circunstância alguma possamos estar numa situação de dependência», afirmou. 
E Portugal «pode ajudar a que isso aconteça porque tem excelentes condições para que Sines seja o porto de acolhimento, armazenamento e transhiping (trasfega) de gás natural liquefeito que pode vir dos Estados Unidos, da Nigéria, do Qatar…, para outras regiões da Europa».

Interligações
O Primeiro-Ministro assinalou que «foi um passo histórico que a Comissão Europeia, na sua comunicação sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia, tenha assumido como opção estratégica da Europa o aumento das interligações entre a Península Ibérica e o resto da Europa. Há muito que estas interligações, quer as elétricas, que as de pipeline de gás natural, estão bloqueadas».
«Este pipeline, que pode ser hoje para o gás natural, pode ser amanhã para o hidrogénio verde, ou para uma combinação de diferentes gases», disse sublinhando que «Portugal e Espanha têm capacidade instalada para suprir 30% das necessidades energéticas da Europa em gás natural. Só não podemos usar essa capacidade porque não há interligação».
Contudo, «a invasão da Ucrânia mudou a falta de visão de muita gente. Hoje ninguém pode ter dúvidas de que é prioritário investir na transição energética, na produção própria de energias renováveis na Europa, e diversificar as rotas de abastecimento», disse.
António Costa disse ainda que quanto mais depressa investimentos como este se forem tornando realidade, «mais fortes serão as nossas democracias. O grande desafio que hoje temos é aumentar o espaço da nossa liberdade».
Fonte: PortugalGov